domingo, 3 de março de 2013

SÍNDROME DA POLINEUROPATIA DO PACIENTE CRÍTICO - SPPC

Critical Illness Polyneuropathy Syndrome - SPPC

     Os estudos voltados à perda de força muscular e redução dos reflexos motores (superficiais e profundos), tiveram início nos anos 80 do século passado. Os testes clínicos e complementares apontavam para disfunções de origem axonal, agudas de predomínio motor e de prognóstico reservado. Atribuiu-se, pois, a este grupo de sinais, o nome: Síndrome da Polineuropatia do Paciente Crítico (SPPC).
O tempo prolongado de permanência na UTI constitui o principal fato causador do declínio funcional dos pacientes com a SPPC. Dentre os fatores relacionados a este declínio estão: a imobilização prolongada no leito e o uso prolongado de sedativos e bloqueadores musculares.
 Durante a imobilização prolongada, as fibras musculares, sobretudo as do tipo 2, sofrem importante atrofia, por tornarem-se inativas. Este evento por tempo prolongado pode causar inclusive áreas de necrose muscular.
A sedação prolongada diminui as respostas dos testes neurológicos e pode aumentar o tempo de ventilação. E o uso de bloqueios musculares (curarização), torna os músculos cada vez mais vulneráveis aos efeitos de outras medicações (sobretudo corticosteróides).
Os termos polineuropatia e miopatia são habitualmente utilizados com sinonímia, porém, algumas diferençasclínicas e diagnósticas podem constituir um requisito para sua classificação independente:
Miopatia é a designação genérica das afecções e doenças musculares em que as fibras musculares não funcionam em muitas vezes, o que resulta em fraqueza muscular; Cãibras musculares; rigidez; espasmo; tetania e o "manobrismo do levantar". Seu diagnóstico é baseado na clínica; dosagem de enzimas musculares e exame do DNA. Quando o exame do DNA não detecta as deleções dos genes realiza-se então a biopsia de músculo com estudo da distrofina por meio de métodos imunoistoquímicos.
São inúmeros os tipos de miopatias, representados por diversos CIDs10: (M33.0) Miopatias Inflamatórias Adquiridas(Polimiosite, Dermatomiosite e Miosite por corpúsculos de inclusão); (G71.0) Distrofia muscular (Distrofia muscular benigna – Becker; Distrofia muscular escápulo-peronial benigna com contraturas precoces - Emery-Dreifuss; Distrofia muscular distal; Distrofia facio-escápulo-umeral; Distrofia muscular cinturas escapular e pélvica; Distrofia muscular ocular; Distrofia muscular óculo-faríngea; Distrofia muscular escápulo-peronial; e Distrofia muscular grave - Duchenne); (G71.1) Transtornos miotônicos (Distrofia miotônica – Steinert; Miotonia condrodistrófica induzida por drogas; Miotonia sintomática; Miotonia congênita SOE; Miotonia congênita dominante – thomsen; Miotonia congênita recessiva – Becker; Neuromiotonia – Isaacs; Paramiotonia congênita; Pseudomiotonia; Síndrome de Schwartz-Jampel); (G71.2) Miopatias congênitas(Doença da parte central; Distrofia muscular congênita SOE; Miopatia miotubular – centronuclear; Desproporção dos tipos de fibras; Doença do tipo “minicore”; Doença do tipo “multicore”; Distrofia muscular congênita com anormalidades morfológicas específicas das fibras musculares; Miopatia nemalínica); (G71.3) Miopatia mitocondrial não classificada em outra parte; (G72) Outras miopatias; (G72.0) Miopatia induzida por drogas; (G72.1) Miopatia alcoólica; (G72.2) Miopatia devida a outros agentes tóxicos; (G73.4) Miopatia em doenças infecciosas e parasitárias classificadas em outra parte; (G73.5) Miopatia em doenças endócrinas; (G73.6) Miopatia em doenças metabólicas; (G73.7) Miopatia em outras doenças classificadas em outra parte.
As polineuropatias, por corolário, são distúrbios neurológicos que ocorrem quando simultaneamente muitos nervos periféricos por todo o corpo começam a não funcionar corretamente. Podem ser agudas ou crônicas. Motoras, sensoriais, autonômicas ou mistas. Sua apresentação é geralmente simétrica e freqüentemente envolvem as extremidades distais. E seu diagnóstico é fechado basicamente pela eletromiografia.
Podem ser classificadas em metabólicas alcoólicas, por uso de medicamentos, infecciosas, auto-imunes, etc. Representadas pelo CID-10 (G61)
É importante que o fisioterapeuta avalie diariamente a força e/ou a qualidade muscular de seus pacientes, a fim de identificar precocemente possíveis instalações da SPPC e dessa forma, poder tomar as medidas profiláticas necessárias.
Algumas estratégias podem ser elencadas para a prevenção da SPPC, dentre as quais destacamos: instituição de protocolos de descontinuidade de sedação; e a mudança cultural das equipes de fisioterapia intensiva, que limitam suas condutas aos procedimentos respiratórios, para um novo tipo de abordagem, incluindo as intervenções funcionais, de mobilidade, alinhamento articular, posicionamentos adequados, etc.
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GLEIDSON FRANCIEL RIBEIRO DE MEDEIROS: Fisioterapeuta especialista em avaliação cinético funcional, fisioterapeuta do Hospital Universitário Onofre Lopes – HUOL/UFRN, Fisioterapeuta do Centro de Reabilitação Adulto – CRA, Preceptor da Residência Multiprofissional em Saúde do HUOL/UFRN, autor do livro: GUIA ILUSTRADO DE CINESIOTERAPIA NEUROLÓGICA BÁSICA, Aluno do curso de Direito da UFRN.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

NOVOS ARTIGOS A PARTIR DE MARÇO

Não atualizamos o blog nos últimos meses com novos artigos em virtude de estarmos em fase final para a publicação de dois novos livros:

INTERPRETAÇÃO NEUROFUNCIONAL DE EXAMES RADIOLÓGICOS 
Falará sobre os principais exames de neuroimagem, com uma abordagem clínico-funcional, voltada para a fisioterapia.
- O livro terá mais de 200 ilustrações.
- Com textos curtos e todo esquematizado (o que facilitará a compreensão dos conteúdos).
- Os assuntos abordados serão: Raio X de crânio e coluna vertebral; angiografia cerebral; tomografia computadorizada e ressonância magnética (cerebral e de medula).
- Formato compacto e design moderno.
- Previsão de lançamento para AGOSTOde 2013.
- Preço estimado em livrarias: R$ 60,00
- Preço de venda pré lançamento:
(a) Por link que será posto neste blog: R$ 50,00 (cartão de crédito ou boleto bancário) com frete gratis para todo o brasil (Somente 30 exemplares)
(b) Casadinha (Somente 50 exemplares): Minicurso de imagens (20 HA), que acontecerá no sábado do lançamento (manhã e tarde) + livro, que será entregue aos participantes do curso no cocktail de lançamento (à noite): R$ 80,00


CINESIOTERAPIA NEUROLÓGICA CLÁSSICA ESQUEMATIZADA 
Falará sobre as técnicas e os principais métodos clássicos de cinesioterapia neurológica.
- O livro será totalmente ilustrado com mapas cognitivos (facilita a compreensão do assunto).
- Com textos curtos e todo esquematizado.
- Os assuntos abordados serão: Aspectos históricos da cinesioterapia neurológica, técnicas de tratamento (facilitação, estimulação, inibição e reeducação), teorias do controle motor, plasticidade neural, exercícios de Frenkel, Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva, Método Vojta, Método Rood, Método Bobath e Método Doman-Delacato.
- Formato compacto e design moderno.
- Pré lançamento (vendas na internet) ABRIL de 2013. Lançamento oficial: MAIO de 2013
- Preço estimado em livrarias: R$ 60,00
- Preço de venda pré lançamento:
(a) Por link que será posto neste blog: R$ 45,00 (cartão de crédito ou boleto bancário) com frete gratis para todo o brasil (Somente 30 exemplares)

(b) Casadinha (Somente 50 exemplares): Curso teórico de Cinesioterapia Neurológica Clássica (20HA), que acontecerá em dois sábados, encerrando no dia do lançamento (manhã e tarde) + livro, que será entregue aos participantes do curso no cocktail de lançamento (à noite): 
- ESTUDANTE: R$ 80,00 À vista ou R$ 90,00 no PAGSEGURO;
- PROFISSIONAL: R$ 120,00 à vista ou R$ 130,00 no PAGSEGURO.





LANÇAMENTOS PREVISTOS PARA 2014...

1- CINESIOTERAPIA NEUROLÓGICA MODERNA ESQUEMATIZADA (OS NOVOS MÉTODOS).

2- FISIOTERAPIA NEUROLÓGICA E ESTIMULAÇÃO VISUAL.



GLEIDSON FRANCIEL RIBEIRO DE MEDEIROS: Fisioterapeuta especialista em avaliação cinético funcional, fisioterapeuta do Hospital Universitário Onofre Lopes – HUOL/UFRN, Fisioterapeuta do Centro de Reabilitação Adulto – CRA, Preceptor da Residência Multiprofissional em Saúde do HUOL/UFRN, autor do livro: GUIA ILUSTRADO DE CINESIOTERAPIA NEUROLÓGICA BÁSICA, Aluno do curso de Direito da UFRN.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012


QUE ESTE NATAL E O ANO QUE ESTÁ POR VIR
SEJAM REPLETOS DE FELICIDADES E REALIZAÇÕES
A TODOS.

COM OS MELHORES VOTOS

Gleidson Medeiros

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O DILEMA DA ALTA DOS PACIENTES NEUROLÓGICOS NOS CENTROS DE REABILITAÇÃO E SERVIÇOS DE FISIOTERAPIA.


THE DILEMMA OF HIGH  OF NEUROLOGICAL'S PATIENTS IN REHABILITATION'S CENTERS AND PHYSICAL THERAPY SERVICES .

A concessão de alta do tratamento de pacientes neurológicos vem se mostrando um crescente dilema para os serviços de fisioterapia e centros de reabilitação.
Por um lado, os pacientes e familiares lutam pela manutenção do tratamento, muitas vezes motivados pela esperança de que um dia o convalescente irá se reestabelecer completamente, libertando-se das sequelas e, consequentemente, de suas limitações; pela integração social que a fisioterapia promove, sendo esta, em alguns casos, a única atividade da qual o paciente participa fora de casa; ou pelo conforto que o familiar sente em saber que o seu ente está recebendo algum tipo de cuidado. Por outro, a reabilitação prolongada costuma causar nestas pessoas uma relação de dependência, seja pela ligação afetiva que se forma, ou pela comodidade do sujeito de não ser reinserido no mercado de trabalho, pois enquanto estiver em tratamento recebe os benefícios previdenciários, transporte gratuito para cuidadores, etc. Estes fatores podem dificultar a decisão técnica de concessão da alta do indivíduo.
 Não são raras, portanto, as ocasiões em que o fisioterapeuta encerra o tratamento, e os pacientes recorrem aos médicos para reencaminhá-los; ou buscam a justiça, com o argumento de que a saúde é um direito fundamental, que deve ser garantido ininterruptamente e que o fisioterapeuta não poderá jamais dispensá-lo dos seus cuidados; também é bastante comum que estes pacientes façam uma espécie de rodízio nos diversos centros de reabilitação/fisioterapia de suas cidades. O resultado de tudo isto são serviços superlotados de pacientes neurológicos crônicos, sem prognóstico de recuperação; e filas imensas de pacientes agudos, necessitando de atendimento, correndo o risco de perderem seu tempo de plasticidade e, consequentemente, o potencial de reabilitação, pela morosidade de sua admissão ao tratamento.
Como já comentado em texto anterior, apesar da saúde ser um direito fundamental, extensivo a todos (princípio da universalidade), os recursos do Estado muitas vezes não são suficientes, ou não são adequadamente geridos para que se possa atender a todos de forma plena. Assim sendo, as equipes de reabilitação devem procurar estratégias que viabilizem a garantia de um mínimo de assistência digna à saúde dos usuários. Para isto, se faz necessário, além da melhoria estrutural dos locais de atendimento e da ampliação dos recursos humanos (o que nem sempre é possível), uma otimização na organização funcional destas instituições. Tal reestruturação deve ser pautada em alguns quesitos: critérios de elegibilidade, avaliação cinético funcional, objetivos terapêuticos bem definidos e o esclarecimento do paciente e do acompanhante.
Os critérios de elegibilidade devem funcionar como instrumentos capazes de facilitar a dinâmica dos tratamentos. Sua classificação é normalmente fundamentada em aspectos formais, ou seja, aqueles expressos no regimento do centro ou serviço de reabilitação; e cinético-funcionais, aqueles determinados pelas condições clínicas, funcionais e pela evolução do paciente.
A partir desta divisão, os indivíduos podem ser elencados nas seguintes categorias: (1) Elegível para o tratamento: quando o paciente e os familiares têm expectativas adequadas quanto ao processo de reabilitação; não existem aspectos sociais ou cognitivos e emocionais que impeçam a adesão ao tratamento; há prognóstico de ganhos funcionais e o sujeito se encontra clinicamente estável. (2) Elegível parcialmente para o tratamento: quando há a possibilidade, a partir de intervenções específicas, de trazer benefícios ao paciente, mesmo quando este apresente quesitos que indiquem inelegibilidade. Estão incluídos, nesta perspectiva, pessoas com histórico de alcoolismo ou psicopatologia ativa; aqueles que apesar de terem completado o programa de reabilitação em outros centros (não havendo, portanto, indicação de repetição do tratamento), podem ser admitidos no serviço para controle de situações específicas (dor, adaptação de uma nova órtese, prótese, equipamento auxiliar de locomoção, cadeira de rodas); ou àqueles que sofreram novas demandas. Nestes casos, o paciente é eleito apenas para intervenções pontuais. (3) Inelegível no momento: quando a existência de quaisquer fatores de exclusão impossibilita os usuários de serem inseridos no programa de reabilitação ou no acompanhamento, porém, com a adequação desses fatores, tal condição poderá ser modificada no futuro próximo. Nessa categoria estão os pacientes com instabilidade clínica; comorbidades inadequadamente diagnosticadas ou controladas, que após um atendimento médico específico podem ser incluídos. Existem ainda aqueles que não dispõem de condução para levá-los à instituição. Contudo, com a intervenção do Estado ou de familiares e amigos, é possível conseguir o transporte, viabilizando o tratamento. (4) Inelegível: é o paciente que não tem prognóstico de reabilitação porque já completou o programa em outra ocasião ou em outro serviço; é aquele cuja família já está adequadamente treinada, ainda que alimentando falsas expectativas de ganhos somatórios com a realização de outras intervenções; ou aquele paciente cujas condições clínicas, sociais ou psicológicas definitivamente não permitem a participação no programa de reabilitação ou em intervenções terapêuticas pontuais.
Durante a triagem, é importante a realização de esclarecimentos sobre a impossibilidade de tratamento permanente, devendo ser apresentada uma previsão de sessões baseadas em objetivos terapêuticos, na colaboração e participação do paciente e na natureza da patologia da qual necessita cuidados. Propõe-se, por exemplo, uma expectativa de 3 meses de terapia para pacientes com paralisia facial, 6 meses para tratamento de outras doenças neurológicas periféricas, 10 meses para doenças piramidais (AVC, TRM, TCE, etc), e 12 meses para as doenças degenerativas/progressivas e extrapiramidais. Apesar de razoáveis, estes prazos devem ser flexíveis, e o profissional juntamente com o paciente e seu acompanhante, devem se esforçar para cumprirem os objetivos propostos à reabilitação neste período.
Finalmente, uma boa avaliação e um intenso trabalho de orientação, aliados ao empenho do paciente com o tratamento, servirão como termômetro para o fisioterapeuta poder decidir, com segurança, uma alta participativa, consciente e eficaz.
Observados estes critérios, é possível uma maior eficiência no processo de reabilitação dos pacientes neurológicos, uma vez que tais medidas resultarão em um aumento na qualidade da assistência, melhor organização das demandas e, consequentemente, maior celeridade no atendimento daqueles que integram as intermináveis listas de espera.

GLEIDSON FRANCIEL RIBEIRO DE MEDEIROS: Fisioterapeuta especialista em avaliação cinético funcional, fisioterapeuta do Hospital Universitário Onofre Lopes – HUOL/UFRN, Fisioterapeuta do Centro de Reabilitação Adulto – CRA, Preceptor da Residência Multiprofissional em Saúde do HUOL/UFRN, autor do livro: GUIA ILUSTRADO DE CINESIOTERAPIA NEUROLÓGICA BÁSICA, Aluno do curso de Direito da UFRN.